Entrevista com MC Presto dos Mind da Gap, grupo de hip-hop em português, sobre o lançamento do último trabalho discográfico intitulado “A Essência”, a “não-rivalidade” entre norte e sul e os primórdios do Hip hop em Portugal:
Sou benfiquista. Fiquei triste pelo Benfica não ter chegado à final da liga Europa mas estou contente por estarem lá duas equipas portuguesas. E contente pelo Braga, que com poucos recursos e muito espírito de sacrifício, conseguiu atingir uma final bem merecida. Espero sinceramente que o Braga se torne um 4º grande no futebol português e não tenha um fado semelhante ao do Boavista ou Belenenses.
O que me entristece mais, mais que a derrota do benfica, é ler na comunicação social as declarações do presidente do Futebol Clube do Porto.
O adversário está de rastos. Foi várias vezes humilhado por um F.C. Porto superior e mesmo assim Pinto da Costa não resiste em colocar o dedo em todas as feridas expostas e desenterrar outras antigas.
No momento de vitória está cego pelo ódio e continua a fomentar a rivalidade num país do tamanho de uma ervilha.
O ódio é um sentimento muito forte que levanta nações (vejam a Alemanha, esmagada pelo tratado de Versalhes). Mas o amor também o é! (vejam o movimento hippie na década de 60 nos E.U.A.)
Por muitos títulos que o Futebol Clube do Porto conquiste nunca terá a grandeza que merece enquanto não amar o futebol e ultrapassar o complexo de inferioridade.
PS: Dizem que o desporto é uma escola de vida. Eu quero muito acreditar que o futebol é pautado pelo respeito mútuo, solidariedade, fair play. Que é um desporto de cavalheiros. Por isso entristece-me os jogos de bastidores sujos, a vitória a qualquer custo, as invejas, as simulações e agressões.
Entrevista com um dos mais consagrados coreógrafos portugueses sobre o projecto “Amaramália” e o (mau) estado das coisas em Portugal no capítulo da dança:
“Vasco Wellenkamp iniciou os estudos de bailado em 1961 com Margarida de Abreu e Fernando Lima, no Grupo Verde Gaio. Em 1968, ingressou no Ballet Gulbenkian. De 1973 a 1975 foi bolseiro do Ministério da Educação em Nova Iorque, na Escola de Dança Contemporânea de Martha Graham, onde se formou em Dança Moderna. Ainda em Nova Iorque, frequentou o curso de composição coreográfica de Merce Cunningham e trabalhou com Valentina Pereyslavec no American Ballet Theatre. Em 1978, como bolseiro da Fundação Gulbenkian, frequentou o curso para coreógrafos e compositores da Universidade de Surrey em Inglaterra.
De 1977 a 1996 desempenhou as funções de coreógrafo residente, professor de Dança Moderna e ensaiador do Ballet Gulbenkian. Em 1975 foi nomeado professor de Dança Moderna da Escola de Dança do Conservatório Nacional e em 1983, professor coordenador da Escola Superior de Dança de Lisboa. Vasco Wellenkamp tem sido convidado por várias companhias estrangeiras a criar novas obras coreográficas: no Brasil coreografou para o Ballet do Teatro Municipal de São Paulo, o Ballet de Niterói, a CIA Cisne Negro e o Ballet Guaíra, na Argentina coreografou para o Ballet Contemporâneo do Teatro San Martin, na Inglaterra, para o Extemporary Dance Theater, o Dance Theater Comune e a Companhia Focus On, na Suiça para o Ballet du Grand Theatre de Gèneve, em Itália para o Balleto di Toscana e na Croácia para a Companhia de Bailado do Teatro de Zagreb, entre outras. Em Janeiro de 1999 criou a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo que dirigiu até Outubro de 2007. Foi nomeado Director Artístico do Festival de Sintra em Setembro de 2003.
Vasco Wellenkamp recebeu por duas vezes o Prémio de Imprensa (1974 e 1981). Foram-lhe ainda atribuídos os Prémios do Semanário Sete (1982), da Revista Nova Gente (1985 e 1987) e da Rádio Antena 1 (1982). Em 1996, foi galardoado com a medalha de ouro e o prémio para o melhor coreógrafo, no II Concurso Internacional de Dança do Japão, com a obra A Voz e a Paixão. Em 1994, a 10 de Junho, dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas, foi condecorado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, por sua Excelência o Senhor Presidente da República, Dr. Mário Soares.
Cria em 2005 a sua primeira coreografia para a Companhia Nacional de Bailado e é seu Director Artístico desde Outubro de 2007.”
Freddy Locks é um dos nomes maiores do Reggae em Portugal. Um artista que para além da música revelou um sentido de cidadania e pensamento crítico interessante em relação aos tempos de crise que assolam Portugal: